"É tão linda a vida, na unidade, na harmonia, é tão linda a vida!".
Acho que nunca vou me esquecer dessa música do movimento dos Focolares. Nossa! Que paz de espírito, quantas demonstrações de amor ao próximo anônimas e inconscientes fazíamos nesse tempo bom. Tempo de esperança e de crença num mundo mais suportável com pessoas unidas e corajosas. Pode-se dizer que era utopia porque a gente acreditava mesmo que seríamos felizes pra sempre. A única coisa que movia tudo era o amor. AMOR. Muito amor! O tempo de Focolares acabou, mas eu acho que jamais vai acabar a minha esperança em ter as pessoas que amo juntas, perto de mim. Mas a vida nem sempre reserva as surpresas que desejamos. Na verdade, são contáveis as vezes em que isso acontece. Ô, se são! Por isso, imagens como essa acima parecem ficar cada vez mais restritas.
.....Era um domingo de primavera, com certeza. Não lembro direito, pois eu estava no auge dos meus dois anos e meio, adoentada, com o cabelinho danificado pelos tratamentos médicos, mas com certeza era primavera. Minha mãe jamais me levaria no verão. Se eu tinha dois, minha irmã estava com dez. Meus pais eram o casal do século pra nós e tudo corria muito bem. Costumeiramente, passávamos nossas tardes dominicais na grande e saudosa chacára de Alvorada. Como eu adorava aquela sete-copas (a árvore mais linda do mundo). Meu pai montava simploriamente uma barraca de lona, estendíamos um lindo "panão" e fazíamos pequeniques supremos e inesquecíveis. Eu só lembro de tudo isso, porque essa tradição durou anos além desse e até quando eu tinha lá meus onze anos, íamos sempre! Tinha também a bóia preta, que tem um nome que não me recordo, mas é alguma coisa de caminhão. HAHAHA. Eu tinha minha boinha rosa e transparente, fofinha, mas eu gostava da preta, grandona, com a qual eu pulava no rio e era feliz. Meu pai passava horas nadando com a gente, minha mãe também. Depois era a hora da pescaria, mas aí eu ficava brincando sozinha pra não atrapalhar. Sempre inventando minhas estórias e depois que chegava em casa passava tudo para os diários. Isso depois dos seis anos que foi quando aprendi a escrever. Esses dias encontrei minha caixa de diários e coisas escritas por mim. Se eu for ilustre um dia, teria uma biografia e tanto.
.....Ah, são tantas lembranças. Mais nostálgica que eu, acredito ser impossível. Parece que ninguém remexe tanto nas coisas passadas como eu. Não mágoas, nem rancor. Apenas boas lembranças. Apenas momentos como esse da foto que sempre foram tão inesquecíveis. Apenas aquela doçura terna que emanava em minha vida. Apenas aquilo que eu desejaria não ter sumido de mim, como a inocência divertida e as molecagens nunca mal recebidas. Apenas aquele riso fino e sincero, aquela vontade louca de voar e a crença de que isso seria possível quando crescesse. Apenas a diversão e a prontidão. Apenas rimas doces e sem muita rima, porém sempre rimas. Apenas uma vida feliz, iluminada e feliz. Se me perguntar do que tenho medo, respondo sem pensar: de não mais sentir aquela sensação de que o dia depois de hoje será sempre melhor, de ser esquecida por quem amo, de perder o meu sentido de vida.
.....Mas conversa vai, conversa vem, vou estudar um pouco ali e me despedir de mais um fim, porque a vida é agora! (E essa última oração peguei emprestado do Visa!)